A sustentabilidade empresarial, muito discutida nos últimos anos, possui como alicerce a incorporação de práticas sociais e ambientais, visando atender as necessidades da sociedade, em uma relação ética e transparente. A busca pela preservação de recursos ambientais e culturais, o respeito as diversidades, a redução da desigualdade social são alguns exemplos de novas preocupações das empresas que buscam posicionamento centenário.
Para tanto, as práticas corretas de sustentabilidade não podem ser um discurso vazio, desconectado da prática. A valorização da imagem institucional e da marca só será alcançada de forma genuína, promovendo a perenidade da organização, caso haja convicção da alta e média liderança.
De acordo com um novo estudo realizado pelo Pacto global das Nações Unidas e a Accenture Strategy, 87% dos CEOs dizem que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU) representam uma oportunidade essencial para repensar abordagens em relação à sustentabilidade. 49% dos entrevistados dizem que as empresas serão o agente mais importante para atingir estes objetivos.
Neste contexto, as empresas têm um papel definitivo, uma vez que a atividade produtiva possui imensa capacidade de afetar os sistemas naturais e sociais, com grande impacto ambiental, social e econômico sobre a sociedade como um todo. Nesta visão, Melo (2008) afirma que sustentabilidade é um compromisso com o futuro, um caminho que as organizações devem trilhar em busca de melhores soluções para os problemas humanos, sejam eles: econômicos, sociais ou ambientais.
A maximização da riqueza e os resultados positivos são objetivos claros para todos os Stakeholders, sobretudo, para os acionistas, maiores interessados no lucro da empresa. Dentre os principais resultados promovidos pela sustentabilidade empresarial aplicada estão: lealdade do consumidor, maior capacidade de recrutar e manter talentos, flexibilidade, capacidade de adaptação e, por consequente, a longevidade do empreendimento.
Dessa forma, Stakeholders e responsabilidade social não são temas distintos, pois os mesmos, também devem estar preocupados com a questão da sustentabilidade, objetivando a integração entre as dimensões econômica, social e ambiental.
Neste contexto, na visão de Brito e Terra (2009), a gestão de stakeholders tem por objetivo facilitar o processo de troca de informações e dar credibilidade a uma empresa perante seus públicos estratégicos.
Assim a organização está contribuindo simultaneamente com relação ao tripé do desenvolvimento sustentável, ou seja, trazendo benefícios econômicos, sociais e ambientais, uma vez que, os projetos, programas e outras práticas que a empresa realiza, servem como canal para intensificar e estreitar o relacionamento entre os stakeholders, consequentemente, promovem o desenvolvimento da cadeia produtiva e de toda a comunidade local.
Estamos diante de um momento em que a humanidade deve escolher o seu futuro. De acordo com a Carta da Terra (2009), à medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Neste interim, consequências da falta de consciência com o planeta vêm sendo apontadas por cientistas e evidenciadas em fatos que afetam o ecossistema e aos homens (BOECHAT; PARO, 2007) que se configura em desafios que a sociedade mundial tem se defrontado, sendo que cabe a esta sociedade contribuir de forma positiva para o desenvolvimento sustentável.
Parte-se do pressuposto de que, somente a melhoria contínua em todas as ações e decisões, em todos os processos, que tenham como base, as três dimensões da sustentabilidade (econômicas, sociais e ambientais), pode vir a tornar uma empresa sustentável. A sustentabilidade é um processo que envolve uma mudança de cultura a longo prazo e uma transformação planejada que necessariamente envolva os stakeholders.
Este desafio exige romper com os padrões econômicos estabelecidos e reafirmar um compromisso com a sustentabilidade. Atualmente, as organizações estão repensando sua maneira de operar. Sua atenção tem se voltado para outras questões, além das de caráter econômico. As pressões sociais e as restrições legais reivindicam o compromisso sócio-ambiental. Portanto, para se adequar a esta nova percepção, passam a se reestruturar e buscar formas de reduzir seu impacto na natureza e melhorar sua imagem frente a sua responsabilidade social.
“Toda transição para um estágio de consciência conduziu a uma nova era na história humana…Existiam outros modelos anteriormente e todas as evidências indicam que outros estão por vir.” Reiventando as organizações
Bibliografia:
Boechat, C. B.; Paro, R. Sustentabilidade no Brasil. HSM Management Online, n. 63, p. 27-32, 2007.
Brito, A. C.; Terra, J. C. C. Posicionamento Estratégico e Sistematização da Gestão dos Stakeholders, 2009. Disponível em: <http://bit.ly/1qBU7CI>.
Carta da Terra Brasil. O texto da Carta da Terra. Disponível em: <http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html>.
Laloux, Frederic. Reinventing Organizations: a guide to creating organizations inspired by next stage of human consciousness. Brussels: Nelson Parker, 2014.
Melo, H. dos S. Indicadores de sustentabilidade: uma análise em um sistema de coleta seletiva de material reciclável. 2009. Dissertação de mestrado – PPGEP – UFPB. João Pessoa, 2008. 102f.Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp079914.pdf>.
Mintzberg, Henry. Criando organizações eficazes: estruturas em cinco configurações. São Paulo: Atlas, 1995. 304 p.



